Janine Amos
Que efeitos tem a anorexia no corpo&mente de Kim?
Everest Editora, 2004
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Os efeitos das dietas
A barriga de Kim faz ruídos: ela deixou de almoçar há algumas semanas
Às refeições, alimenta-se unicamente de saladas e, tal como Carol, não come pão nem batatas. Para não pensar na comida, vai para o quarto estudar e fazer os trabalhos de casa.
— Vem ver televisão comigo — diz a mãe, uma noite. Kim pensa nos velhos tempos em que ia para o sofá com Angela petiscar batatas fritas enquanto assistiam à sua série favorita. Mas agora Angela saiu com p namorado, Luís. Kim abana a cabeça.
— Tenho muito que fazer — diz à mãe, pegando na mochila.
No quarto, Kim tenta trabalhar mas não consegue parar de pensar em comida; tem dores de cabeça.
Na sexta-feira, vai às compras com a Angela e a mãe. Vão escolher o vestido de Kim para o casamento.
Kim pega numa saia justa. É um tamanho 36 — e o fecho sobe facilmente. Sai apressadamente do provador, descalça, e desfila à frente de Carol e de Angela.
— Estás linda! — exclamam elas.
— Tens um corpo muito bonito — diz a empregada. Kim gosta do elogio.
A dieta e o corpo
Quando o corpo de Kim necessita de comida, determinadas substâncias químicas comunicam ao cérebro a sensação de fome. Este envia mensagens às outras partes do corpo, para os preparar para a refeição seguinte. A boca enche-se de saliva, os sucos gástricos preparam-se para o trabalho. Pela cabeça de Kim passam imagens de torradas com manteiga e de sandes. O seu cérebro esfomeado nunca pára de lembrar que ela tem que comer.
Tal como qualquer pessoa a fazer dieta, Kim sente os efeitos da falta de comida: cansaço e dificuldade de concentração. A curto prazo, a dieta fá-la sentir-se desconfortável.
A longo prazo, pode privá-la de algum nutriente necessário para o seu corpo.
O que é uma caloria?
É uma unidade de energia. Tudo o que comes contém calorias. O teu corpo usa-as em tudo o que faz — respirar, digerir a comida e até dormir. Estás a queimar calorias até enquanto lês este livro.
O que é um distúrbio alimentar
Kim vê-se ao espelho do seu quarto. Observa o corpo e franze a testa.
“O meu rabo continua gordo”, pensa.
Vai pesar-se na balança da casa de banho.
“Tenho que perder um pouco mais de peso”, diz para si própria, determinada.
Nas semanas seguintes, Kim reduz o pequeno-almoço: durante vários dias, só come uma fatia de pão torrado, com manteiga com baixo teor de gordura; deixou de tomar leite com café.
Quando come com a família, entra em pânico só de pensar em ter de enfrentar um prato cheio e depenica a comida. Algumas vezes, quando ninguém está a ver, deita a comida no lixo.
Embora coma muito pouco, começou a cozinhar para a família. Esta noite, fez lasanha. Enquanto a preparava, alguns pedaços de queijo caem para a bancada. O estômago da Kim começa a fazer ruídos e apetece-lhe comer o queijo.
“Não”, diz. “Estás muito gorda.”
À mesa, a Kim serve um prato cheio de lasanha para cada um; para si, serve apenas salada.
— Está deliciosa! — diz a mãe. — Tem muitas calorias, mas vale a pena fugir à dieta! Não comes, Kim?
— Comi na cozinha. Estou cheia! — mente Kim, enquanto os outros comem.
Kim não come uma refeição completa há semanas.
O que é um distúrbio alimentar
A dieta de Kim está a transformar-se noutra coisa: começa a sofrer de um distúrbio alimentar. As pessoas com este tipo de doença, tanto podem comer pouco, como muito. Há muitas razões que estão na base das doenças do comportamento alimentar: surgem em pessoas tristes, desencantadas ou confusas em relação às suas vidas. Utilizam a comida para tornar suportável uma existência que sentem estar descontrolada.
Os distúrbios alimentares não são causados pelas dietas: embora possam iniciar-se com uma dieta, não têm nada a ver com comida; costumam estar relacionados com a incapacidade de solucionar alguns problemas próprios da adolescência.
Segue: