Janine Amos
Que efeitos tem a droga no corpo&mente de Alexandre?
Everest Editora, 2004
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Ecstasy
O que é o ecstasy?
É uma droga sintética chamada MDMA (metilenodioximetanfeta mina). Os comprimidos de ecstasy costumam ter um logotipo ou desenho. Tanto o fabrico, como a sua venda são ilegais.
No sábado, Alexandre, Míriam e João vão juntos à cidade.
É dia de mercado e Míriam quer fazer umas compras. Alexandre tenta aprender o seu papel na peça: recita o texto uma e outra vez e os outros testam-no.
Mais tarde, vêem Sara e Leo entre a multidão; Jaime está com eles e falam durante algum tempo. Então, Jaime tira uns quantos comprimidos brancos de um saco plástico.
— Quem quer curtir um bocado? — pergunta. João e Míriam recusam.
— São comprimidos de E! — ri-se Jaime. — Fazem-te sentir na maior!
— É ecstasy — diz Míriam. — Não sabes que isso te pode matar?
— Estou morto? — sorri Leo, engolindo um comprimido.
Alexandre está hesitante. Tem medo de provar, mas sente curiosidade e não quer fazer má figura. Toma um.
Durante um instante, nada acontece. Alexandre senta-se, enquanto Jaime e Leo vão dar uma volta. Pouco a pouco, Alexandre sente calor e formigueiros; está cheio de energia e apetece-lhe mexer-se. Sorri para toda a gente.
Perigo!
O ecstasy pode provocar:
• ataques de pânico e confusão
• lesões renais e hepáticas
• lesões cerebrais
• quem beber muita água rapidamente, pode sofrer uma inflamação cerebral, que pode matar
• as pessoas podem morrer de um golpe de calor
O comprimido de ecstasy dissolve-se no estômago e passa para o sangue: começa a fazer efeito 30 minutos depois. É um estimulante; intensifica a actividade cerebral. Faz com que algumas substâncias químicas se libertem, alterando o seu humor. O ecstasy é um alucinogénio, tal como o haxixe, e para o Alexandre o mundo torna-se radioso, brilhante e irreal.
O ecstasy tem outros efeitos sobre o corpo. Perturba o centro cerebral que regula a temperatura e o seu corpo sobre-aquece. Seca-lhe a boca, transpira e tem muita sede.
Miriam tem razão. Há pessoas que morrem por ingerirem um único comprimido de ecstasy.
Dependência das drogas
Dias mais tarde, Alexandre está deprimido
Está cansado, farto e a ficar sem droga. Decide ir visitar o café onde Jaime costuma passar algum tempo.
No café, vê Jaime sentado numa mesa a um canto. Parece meio adormecido, mas quando Alexandre fala com ele, levanta a cabeça. Alexandre senta-se à sua frente e, em voz baixa, pede-lhe o que pretende.
— Passa aqui daqui a duas horas — murmura Jaime.
Mais tarde, Jaime entrega-lhe uma dose de haxixe e três comprimidos de ecstasy; Alexandre paga-lhe com o dinheiro que lhe sobrou do seu aniversário.
— Posso arranjar-te coisas mais fortes, se quiseres — diz Jaime.Consumir drogas pode transformar-se num hábito. A droga torna-se cada vez mais necessária, inclusivamente para enfrentar a vida quotidiana. Por vezes, os consumidores passam a ser viciados: acostumaram-se de tal modo à substância tóxica, que as suas mentes e corpos são incapazes de funcionar sem ela. Se não consumirem a droga, sofrem de “dependência” (necessidade compulsiva). Todos os outros aspectos da vida parecem não ter importância. Certas drogas, como o crack ou a heroína, são potencialmente viciantes.
PERIGO!
A heroína provoca:
• problemas de saúde mental e depressão
• problemas respiratórios
• morte por overdose (consumir uma dose grande, num curto espaço de tempo)
• mortes inexplicadas
• infecções graves (por uso de agulhas infectadas)
Outras drogas viciantes:
Heroína
Obtém-se da morfina, procedente dos extractos da papoila do ópio. É analgésica e narcótica: alivia a dor e produz sonolência. Estimula os centros de prazer do cérebro. Dá tranquilidade e despreocupação.
Crack
O crack é uma forma de cocaína que pode ser fumada. Produz uma intensa “pedrada” que dura poucos minutos. As pessoas que fumam muito crack, por vezes consomem heroína, para aliviar a sua dependência do crack.
PERIGO!
O crack pode causar:
• lesões graves nos pulmões
• conduta agressiva e problemas mentais
• morte por overdose
O consumo de crack pode provocar alterações cardíacas mortais.
Uma má viagem
Algumas semanas mais tarde, combinam uma festa. Vai muita gente da escola.
Está calor, há muito ruído e está lotado. Alexandre vai dançar. Lembra-se dos comprimidos de ecstasy que tem. Tira-os e oferece-os a Miriam e João.
— Nós estamos bem! Não precisamos disso! — grita Miriam.
Alexandre põe um comprimido na boca.
Meia hora mais tarde, as coisas começam a correr mal para o Alexandre: sente uma onda de sensações agradáveis e a necessidade de saltar e se mover, como na última vez que consumiu droga, mas o seu cérebro enche-se de ideias negras: sente-se inútil, triste e só. Pensa que todos o odeiam; odeia-se a si próprio. Mete-se num quarto e atira-se para o chão; o seu coração está acelerado, tem sede e vontade de vomitar. Começa a arfar e sente-se desfalecer.
Miriam e João vão à sua procura e tentam falar com ele.
— Não podemos deixá-lo — diz João. — Damos-lhe água e levamo-lo lá para fora para apanhar ar.
Alexandre fica com medo. Nunca mais voltará a tomar ecstasy.
Miriam e João estão a agir bem. O Alexandre precisa de estar num lugar calmo e não pode ser deixado sozinho. Está a ter uma má experiência provocada pela droga, aquilo a que se chama uma má viagem.
O ecstasy que chegou ao cérebro de Alexandre deixou-o sem serotonina, que controla o seu humor. Por isso tem pensamentos negativos.
Alexandre arfa porque se sente muito ansioso: ao arfar, exala mais dióxido de carbono (um gás) do que deveria, o que pode fazer com que se sinta enjoado e desmaie.
Ao consumir qualquer droga ilegal, pode-se ter uma má viagem, independentemente das vezes que se consumiu antes. Pode levar uma semana até que Alexandre volte a sentir-se bem. Por vezes, os horrores dessa viagem voltam como flashbacks meses depois.
O que há numa droga?
Não há maneira de saber exactamente o que uma droga ilegal contém. Os comprimidos de ecstasy podem conter uma mistura ou serem fabricados com pó talco, comprimidos para os parasitas dos cães e coisas semelhantes.
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