O negócio do álcool
Ao fim da tarde, João veste o casaco e sai.
— Tem cuidado — pede-lhe a mãe.
— Não venho tarde — promete ele.
Os outros estão junto ao rio, como é habitual. João olha fixamente para a água. Parece preocupado. Está a pensar no pai e no álcool. Muno oferece-lhe uma garrafa.
— Anima-te! — diz Nuno. — Bebe um pouco disto!
João olha para a garrafa, estende a mão para agarrar… mas depois abana a cabeça.
— Isso não muda nada — diz ao Nuno.
João paga ao Nuno o dinheiro que lhe devia e volta para casa.
Mais tarde, João telefona ao Luís.
— Ouve, é sobre aquilo do basquete — diz-lhe. — Ainda estou a tempo de me inscrever?
— Claro! — responde Luís. — Ligo-te amanhã, depois das aulas.
João sorri, enquanto desliga o telefone.
Vender álcool é um negócio rentável. As empresas que fabricam bebidas alcoólicas gastam milhões por ano em publicidade. Cartazes gigantescos associam o álcool a um mundo de aventura. Os anúncios mostram pessoas a beber em locais encantadores. Transmitem a mensagem de que beber álcool é excitante, glamoroso e inofensivo.
As empresas de bebidas alcoólicas são dos maiores patrocinadores do mundo do desporto. Contribuem financeiramente para equipas e eventos e, em troca, as suas marcas são publicitadas na televisão, jornais e revistas. Desta forma, o álcool é associado à boa forma física e à popularidade.
Refrescos com álcool
Os refrescos como a laranjada, limonada ou cola são misturados com álcool e encobrem o seu sabor. Muitos acreditam que estas misturas, fáceis de beber, encorajam os menores a consumir álcool. Os fabricantes garantem que se destinam apenas aos adultos. O que achas?
Muito tempo a beber
Tal como João, Filipe tem pensado muito no álcool.
Decide ir ao médico.
— Sinto-me mal constantemente — diz. — Tenho dores de estômago, como pouco e mal consigo dormir. Fui detido por conduzir sob o efeito do álcool. Julgo que tenho um problema com o álcool. Tenho de deixar de beber e preciso de ajuda.
— Vou examiná-lo — diz a médica. Pressiona ligeiramente o estômago do Filipe e nota que o fígado está dilatado. Examina as palmas das mãos: estão muito vermelhas, o que pode ser um sinal de doença no fígado. Colhe um pouco do sangue para fazer uma análise ao fígado. Pergunta-lhe qual a quantidade que ingere num dia normal.
— Teremos os resultados em breve — diz a médica. — Mas tem razão: o álcool está a prejudicá-lo. Vou dar-lhe uma lista de organizações e os números de telefone. Aí encontrará ajuda.
As análises de Filipe revelam que o seu fígado está doente e que os glóbulos vermelhos aumentaram. O consumo continuado de álcool originou a acumulação de gordura no fígado, o que faz com que este inche e provoque dores. Pode desenvolver-se uma doença chamada cirrose, que torna o fígado fibroso e duro. Pode inclusivamente parar de funcionar.
O álcool também pode afectar o estômago. O excesso de álcool faz com que seja produzido mais ácido no estômago, provocando erosão interna e dor.
A médica conclui que Filipe tem problemas gástricos graves e distúrbios hepáticos. Decide interná-lo para submetê-lo a exames e tratamentos. Deixar de beber será o primeiro.
1 unidade: um copo (150 ml) de vinho,
um quarto (250 ml) de cerveja,
uma dose (25 ml) de bebida de alto teor alcoólico.
4 unidades: uma lata de cerveja com álcool.
2.7 unidades: uma garrafa pequena de refresco alcoólico.
O álcool é medido em unidades. Uma unidade equivale a 10 ml de álcool. Muitos peritos concordam que é seguro para um homem adulto beber três a quatro unidades por dia. O corpo das mulheres, geralmente mais pequeno e leve, contem menos água para misturar com o álcool. Uma mulher adulta pode beber duas ou três unidades diárias.
Os corpos dos jovens ainda estão em crescimento. Se bebem álcool, devem fazê-lo em quantidades bastante mais baixas.