A repetição das violências sofridas não é uma fatalidade

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  • Quando as violências nos atingem
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  • Violências sexuais
  • O que fazer quando sou vítima de uma violação?
  • A repetição das violências sofridas não é uma fatalidade

    Hoje em dia, as pessoas tendem a pensar que a violência não se instala por acaso no seio das famílias. Damo-nos conta de que pais abusadores, ou que infligem maus-tratos aos filhos, tiveram uma infância marcada por abusos repetidos ou por carências afectivas. Com o tempo, muitos soterram o mais que podem aquilo que querem esquecer. Contudo, alguns reproduzem os comportamentos de que foram vítimas sobre os filhos ou os cônjuges. O que está enterrado não deixa de continuar a viver, em surdina, no inconsciente. Estas recordações dolorosas ganham corpo através de doenças, de angústias, de medos, de actos. Como estas antigas vítimas não conseguiram verbalizar os sofrimentos passados, estão prisioneiras de forças que não conseguem dominar. Nenhum pai ou mãe decide, de vontade própria, maltratar.

    Alguns adultos, ainda prisioneiros dos horrores da infância, podem tornar-se indiferentes ao sofrimento daqueles que violam ou maltratam. Pensam que adoptar a atitude daqueles que os fizeram sofrer os ajuda a escapar ao seu próprio sofrimento. Mas a violência não é uma fatalidade. A maioria das crianças maltratadas não se torna pais que maltratam. Se alguns carregam durante toda a vida o fardo de uma existência dolorosa, muitos deles conseguiram escapar à espiral da repetição. Tornam-se mesmo educadores, enfermeiros, médicos. Descobrem que têm vocação para pintar, escrever poesia, fazer música. Escrevem, agem, ajudam os outros.

    Outros há que simplesmente vivem, sem chamar a atenção sobre si mesmos. A violência sexual, tal como as outras violências que sofremos, é um drama que marca a existência, mas não precisa de ser necessariamente reactivada. Pelo contrário, uma pessoa que foi vítima dessas violências pode colocar a sua energia ao serviço daqueles que sofrem, a fim de que tais actos não se repitam. Contudo, algumas crianças maltratadas, vítimas de incesto, guardam da sua infância a recordação de terem sido mal amadas, de terem sido depreciadas, aviltadas. Vivem com uma sensação permanente de insegurança, de fracasso, e têm uma péssima auto-imagem.

    Na adolescência, as reacções das vítimas podem ser violentas: fugas, drogas, anorexia, bulimia, prostituição, tentativas de suicídio. Vítimas durante a sua infância, arriscam-se a continuar a sê-lo durante a sua vida adulta. Com efeito, podem virar a violência contra si mesmos, autodestruindo-se, mesmo que o façam inconscientemente.

    Segue:

  • Violência escolar: violências das palavras e dos golpes
  • Outras formas de perseguição / Conclusão

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