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Outras formas de perseguição
Um chantagista persegue a vítima para ter um ascendente. Mas a chantagem não é a única forma de perseguir os outros até tornarmos a sua vida na escola insuportável. A perseguição é uma prática corrente nos estabelecimentos de ensino e consiste em arreliar, massacrar e brutalizar um aluno escolhido como bode expiatório.
A vítima ideal é o bom aluno que não se conseguiu fazer aceitar como colega, o jovem gago, o franzino, ou o obeso. Em suma, todas as pessoas que são diferentes. Na sequência de um estudo realizado em estabelecimentos de ensino na Escandinávia, um professor de Psicologia sueco constatou que os alunos mais novos e mais fracos são geralmente os mais expostos, e que os rapazes têm mais tendência para este tipo de comportamento, porque as suas relações são mais brutais e directas. As raparigas utilizam métodos de perseguição mais subtis: as maledicências, as calúnias, os rumores.
A vítima cala-se, porque sente-se culpada por não conseguir enfrentar o(s) seu(s) agressor(es). Completamente à mercê, acaba por achar que não vale nada, e sente-se envergonhada e estúpida. Paradoxalmente, acaba por dar razão aos agressores. Como não consegue responder com violência à violência, fica sozinha com o seu sofrimento. Durante mês e anos, este tipo de alunos pode estar completamente isolado.
Ao tratarem assim as suas vítimas, os jovens impelem os espectadores destas cenas a darem azo à sua própria agressividade. Mesmo que não participem, também não se opõem. Entre os espectadores passivos, quantos se vingam assim dos seus falhanços escolares e da sua raiva invejosa, por interposta pessoa? Ao saber de antemão que a vítima é um alvo fácil que não vai ousar ripostar, os outros não vêem qualquer problema em a molestar. É assim que um adolescente sozinho e perdido se pode tornar no alvo de todos.
Aparentemente, os agressores têm uma boa auto-imagem. Sentem-se cheios de importância e de prestígio, porque o grupo dos brincalhões está do seu lado. Podem exercer o seu domínio em liberdade. São jovens que não se contentam em atacar ou oprimir os outros alunos, já que são também frequentemente insolentes com os adultos. Se os repreendermos, arranjam facilmente desculpas e atiram a culpa para cima da vítima, ou dos outros colegas.
Por detrás destes actos gratuitos e maldosos, existe um intuito vingativo. Se os agressores se comportam desta maneira, é porque se sentem frágeis e fracos. Quando se afirma o poder sobre os outros, é porque duvidamos desse mesmo poder. Um aluno equilibrado não sente qualquer necessidade de martirizar os colegas.
Talvez o agressor não tenha recebido em casa indicações de como devia lidar com a sua agressividade. Talvez a sua agressividade fique impune e tenha, assim, tendência a aumentar. Talvez esteja habituado a ser maltratado e faça o mesmo. Como acontece em casos de chantagem, também em casos de perseguição há vítimas que chegam a suicidar-se. Felizmente, os casos são raros, mas suficientemente graves para que os tenhamos em conta.
Conclusão
Todos estes fenómenos de violência na escola não devem ser generalizados. Podem diminuir, se os alunos comunicarem com os professores e com a gestão com facilidade. No seu inquérito A violência no meio escolar, Éric Debarbieux constata que, em alguns bairros problemáticos, não existe violência na escola, porque alguns professores e algumas equipas educativas combatem o fenómeno de forma eficaz. São equipas coesas e dirigidas por alguém que é unanimemente apreciado pelos colegas e alunos. “Podemos assim verificar que o papel do estabelecimento de ensino é fulcral”, conclui o autor do estudo.
Podemos contribuir para que a nossa escola saia da lista dos estabelecimentos “em crise” e entre na categoria dos estabelecimentos “em progresso”. Para que isso aconteça, temos de nos mobilizar. Propor jornadas sobre a violência, sobre os direitos e deveres, sobre o respeito. Se apoiarmos um projecto, haverá sempre alguém para nos secundar. A violência decresce sempre que as pessoas dialogam e se esforçam em conjunto.