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	<title>Gerações em Diálogo</title>
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		<title>Gerações em Diálogo</title>
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		<title>O Complexo do Principezinho &#8211; A negação da morte</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 14:17:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Jacques-Antoine Malarewicz O Complexo do Principezinho Lisboa, Estrela Polar, 2007 (excertos adaptados) Acima de tudo, Jovem!   Como qualquer outra, a nossa sociedade constrói-se a cada momento a partir, e à volta, de certos valores, que têm um carácter de evidência tal que não parecem poder, nem mesmo dever, ser postos em causa. Insensivelmente, e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=175&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Antoine Malarewicz<br />
<em>O Complexo do Principezinho</em><br />
Lisboa, Estrela Polar, 2007</p>
<p>(excertos adaptados)</p>
<h3 style="text-align:center;">Acima de tudo, Jovem!</h3>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Como qualquer outra, a nossa sociedade constrói-se a cada momento a partir, e à volta, de certos valores, que têm um carácter de evidência tal que não parecem poder, nem mesmo dever, ser postos em causa. Insensivelmente, e no espaço de uma geração, da década de 1970 aos nossos dias, a juventude transformou-se no valor central à volta do qual a nossa sociedade de consumo se constrói e desenvolve.</p>
<p style="text-align:justify;">Esta necessidade de promover a juventude manifesta-se não apenas no discurso político mas também na vontade de satisfazer novas expectativas. A esperança de vida não cessa de aumentar nos países mais ricos, a necessidade de filiação faz com que a procriação seja cada vez mais artificial e a morte tende a desaparecer da nossa paisagem mental. De curativa, a medicina acabou por se transformar em preventiva, adaptou-se a todas estas novas solicitações.</p>
<p style="text-align:justify;">E, sobretudo, mudou profundamente a nossa relação com o tempo e com a sua duração. Temos, agora, tendência a fundirmo-nos intimamente ao instante, ao presente imediato. Isso permite libertarmo-nos dos danos da idade. Reencontramos, frequentemente, esta cultura do imediatismo nos períodos de guerra onde a incerteza do amanhã dá um novo sabor ao quotidiano. É, aliás, possível que estejamos em guerra contra os nossos medos.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<h3 style="text-align:center;">A negação da morte</h3>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">A glorificação da juventude faz-se «naturalmente» na negação e ignorância do envelhecimento e da morte. Vivemos assim numa sociedade que tem cada vez mais tendência a negar a morte e a apagar as suas manifestações mais aparentes. Morrer transformou-se em objecto de escândalo. Os rituais que acompanham o desaparecimento de uma pessoa têm tendência a apagar-se ou, pelo menos, a perder o essencial do valor simbólico e emocional que antes tinham. Estes rituais têm tendência a tornarem-se cada vez mais breves e confidenciais. Já não há furgões mortuários nas ruas, os cortejos funerários desfilam geralmente ao ritmo da circulação rodoviária afogados no anonimato das auto-estradas e dos grandes eixos.</p>
<p style="text-align:justify;">As crianças são elas próprias protegidas da realidade da morte e só a percebem através de uma experiência essencialmente virtual. A nossa existência, essencialmente urbana, já não as põe em contacto com o sofrimento e o desaparecimento de animais, como podia ser o caso num mundo rural. A morte de um cão ou de um gato, a ida para o matadouro de uma vaca ou de um cavalo assumiam, noutros tempos, um sentido imediato, eram acontecimentos que continham, manifestamente, um valor de aprendizagem.</p>
<p style="text-align:justify;">Actualmente, as crianças recebem imagens de cadáveres via televisão ou cinema, mas esses mortos são constantemente banalizados, «virtualizados» e, sobretudo, são cadáveres que vêm de longe<span style="color:#0000ff;">[1]</span>. Na maioria das situações, é a violência que prevalece. Isso faz com que a criança sinta dificuldade em imaginar outras circunstâncias que provoquem a morte. Ela só pode ser o resultado de uma acção brutal, num contexto de lutas, de guerras ou de terrorismo. Os cadáveres de que as crianças se podem aperceber através dos <em>media</em> não lhes são explicados já que os próprios adultos acabam por ignorar essas imagens, ou por má consciência ou por ser mais cómodo.</p>
<p style="text-align:justify;">Os jogos de vídeo banalizam e desdramatizam a morte. Cada personagem dispõe geralmente de várias «vidas», o que exclui qualquer fim fatal e definitivo. O inexorável não existe – seria muito difícil de aceitar – mas a sua ausência não permite a aprendizagem de um limite que não pode ser ignorado.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais uma vez, os adultos transmitem às crianças a sua própria apreensão da morte. Por exemplo, quando ouço pessoas que estão a viver um luto, espanto-me com o vocabulário por elas utilizado. Raramente falam de «morte», mas sim de desaparecimento ou perca. A palavra «morte» nunca é pronunciada ou então raramente. Diz-se que esta ou aquela pessoa «nos abandonou», ou ainda que se «retirou», que «partiu».</p>
<p style="text-align:justify;">Na mesma ordem de ideias, vejo cada vez mais pais que pedem uma consulta para o filho – cuja idade varia geralmente entre cinco e dez anos –, o qual, segundo eles, fala frequentemente de morte. No espírito de determinados adultos passou a ser insuportável que as crianças possam utilizar um termo que eles já abandonaram. Vêem aí, rápida e facilmente, uma manifestação patológica e, consequentemente, um comportamento inquietante que justifica, aos seus olhos, uma ida ao psiquiatra.</p>
<p style="text-align:justify;">De facto, quando uma criança sente que pronunciar a palavra «morte» é mal aceite pelos pais, até quase se transformar em provocação, ela tenderá a servir-se da palavra como arma de manipulação. Esta criança não está doentiamente obcecada pela morte, apenas utiliza um poder que lhe é dado pelos pais no medo que têm em afrontar, eles próprios, a existência da morte.</p>
<p style="text-align:justify;">A criança tem necessidade de «conhecer» a morte, tal como lhe é necessário descobrir todas as declinações da vida; isso significa que tem necessidade de se confrontar com a realidade total. Geralmente, esta aprendizagem faz-se por volta dos seis, sete anos, ao mesmo tempo que conhece o tempo e, consequentemente, a duração. O finito e o infinito assumem então um sentido para a criança, ela integra a existência de um limite que deveria transformar-se no próprio exemplo de qualquer limite.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong>Confronto e mimetismo</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">As décadas de 1950 e 1960 foram caracterizadas pelo que se chamou “conflito de gerações”, ou seja, a vontade dos jovens em se &#8230; <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/confronto-e-mimetismo-violencia-e-impotencia/" target="_self">(continuação)</a></p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#0000ff;">[1]</span> As autoridades americanas tentaram evitar a todo o custo a difusão de imagens de cadáveres depois do ataque terrorista contra as Torres do World Trade Center, em Nova Iorque. Esses cadáveres estavam demasiado próximos, embora a foto de um recém-nascido africano, morto pela Sida, seja «politicamente correcta».</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<br />Na categoria adolescentes, comportamentos, coragem, crescimento, educação, insegurança, meios de comunicação, morte, psicologia  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/175/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=175&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Confronto e mimetismo &#8211; Violência e impotência</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 14:14:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jacques-Antoine Malarewicz O Complexo do Principezinho Lisboa, Estrela Polar, 2007 (excertos adaptados) Anterior: O Complexo do Principezinho – A negação da morte Confronto e mimetismo As décadas de 1950 e 1960 foram caracterizadas pelo que se chamou “conflito de gerações”, ou seja, a vontade dos jovens em se distanciarem dos mais velhos, rejeitando os seus valores [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=171&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Antoine Malarewicz<br />
<em>O Complexo do Principezinho</em><br />
Lisboa, Estrela Polar, 2007</p>
<p>(excertos adaptados)</p>
<p>Anterior: <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/o-complexo-do-principezinho-a-negacao-da/" target="_blank">O Complexo do Principezinho – A negação da morte </a></p>
<h3 style="text-align:center;">Confronto e mimetismo</h3>
<p style="text-align:justify;">As décadas de 1950 e 1960 foram caracterizadas pelo que se chamou “conflito de gerações”, ou seja, a vontade dos jovens em se distanciarem dos mais velhos, rejeitando os seus valores e modelo de sociedade. Estes jovens procuravam alcançar a independência o mais rapidamente possível saindo do núcleo familiar; advogavam outros tipos de relação com os adultos, reivindicando mais respeito e liberdade. Não somente rejeitavam como exigiam. Nas décadas seguintes até aos nossos dias, as relações entre adultos e adolescentes evoluíram sensivelmente. O conflito entre gerações desapareceu totalmente e deu lugar a uma diversidade de tomadas de posição.</p>
<p style="text-align:justify;">Numa grande maioria dos casos, os jovens procuram tirar proveito de um sistema que não rejeitam abertamente. Baseiam-se na confusão de gerações – que resulta de um mimetismo generalizado – onde adultos e adolescentes trocam as suas prerrogativas. As pressões mediáticas, económicas e, sobretudo, mercantis, favoreceram e aceleraram sensivelmente este primeiro fenómeno ao «venderem» “juventude” aos adultos e ilusões de autonomia e maturidade aos jovens.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma minoria de jovens, frequentemente bastante desfavorecida, manifesta uma rejeição total da sociedade sem que nenhum pedido de mudança a acompanhe. Aqui, o confronto é directo, destrutivo e sem esperança. Transmite a sensação de desembocar numa violência gratuita, como se nenhuma alternativa parecesse possível para estes jovens, a não ser “a lei dos mais fortes”. Já nem se trata de «ser contra», o que supõe uma intenção e uma capacidade de se projectar para além da violência; a oposição é desesperada e inscreve-se no momento.</p>
<p style="text-align:justify;">A um nível mais profundo ainda, o confronto é sensivelmente deslocado para desaguar em novos pedidos. Quando agora reivindicam um mundo que corresponda à sua própria visão, os jovens exigem dos adultos que eles se conduzam apenas… como adultos. Nesse aspecto, agem como adultos, quer dizer, como os pais dos seus pais. É óbvio que este pedido não é directo, consciente e claro. Mas muitos comportamentos podem ser compreendidos nesse sentido, nem que seja por via das provocações de certas crianças, ao pai e à mãe, e que correspondem a uma procura de autoridade.</p>
<p style="text-align:justify;">O conjunto oferece a sensação de uma grande confusão na distribuição dos papéis e, sobretudo, no lugar que os adultos querem ocupar perante as gerações que lhes vão suceder. O que domina é uma visão a muito curto prazo, uma «filosofia» do «quero, consequentemente faço-o» e uma submissão cega às leis da economia de mercado.</p>
<h3 style="text-align:center;">Violência e impotência</h3>
<p style="text-align:justify;">A questão da violência física coloca dois problemas difíceis de resolver. O primeiro é: os que a introduzem e põem em prática não a identificam como tal – são violentos porque não sabem o que é a violência. Ela resume, só por si, a sua relação com o mundo e com os outros, e é-lhes impossível compará-la a outras maneiras de actuar, para serem eles próprios a criticá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">O segundo problema é: a violência aberta de um induz uma outra, de natureza bem diferente porque perfeitamente interiorizada. De facto, é igualmente violento não saber como fazer frente à violência como o é vivê-la. Esta impotência é então tão manifesta que provoca um verdadeiro sentimento de paralisia.</p>
<p style="text-align:justify;">Muito poucos indivíduos sabem comportar-se «eficazmente» perante a violência. Uma resposta eficaz situar-se-ia em qualquer parte onde houvesse a possibilidade de fazer «alguma coisa», sem se deixar necessariamente arrastar na escalada. Quando não se soube responder a uma agressão desta maneira, subsiste um sentimento de desconforto que pode ir da frustração à angústia profunda. A vítima sente, então e constantemente, a necessidade de reescrever na sua mente um cenário mais satisfatório, sem nunca o conseguir. Trata-se de imaginar que ser humilhado não é uma necessidade, ainda menos uma fatalidade. A violência subsiste então, não enquanto tal, mas na impotência que impõe.</p>
<p style="text-align:justify;">As relações inter-humanas foram desde sempre marcadas pela violência. Mas ela passou a ser para nós cada vez mais insuportável, ao mesmo tempo porque tem a ver com crianças cada vez mais jovens, mas também porque vivemos numa sociedade que nos dá a ilusão da segurança. Como tudo pode ser compreendido, nada pode acontecer sem estar previsto.</p>
<p style="text-align:justify;">Qualquer violência gera outra violência. Quer seja patente ou dissimulada, a reacção está presente. A própria impotência resolve-se, quando tem a oportunidade, por uma atitude por vezes próxima da vingança ou do acertar de contas. Salvaguardadas todas as proporções, seja através do boletim de voto ou do recurso à psicoterapia, o mecanismo de delegação é o mesmo. Com efeito, é tentador aderir às posições políticas extremistas para resolver, pela via da força, os problemas colocados por uma minoria de jovens, da mesma forma que certos pais imaginam, de bom grado, deixar todo o poder ao psicoterapeuta para trazer os seus filhos de volta à razão.</p>
<p style="text-align:justify;">O sintoma «psi» de uma criança é sempre violento para os seus pais. Muitos preferiam confrontar-se com algo de concreto, palpável e racional. Estes pais vivem o facto de recorrer ao psicoterapeuta como um fracasso. São então obrigados a desvendar – poderia escrever confessar – a sua impotência e o seu reconhecimento; nesta situação, escondem mal a sua cólera.</p>
<h3 style="text-align:center;">As crianças tiranas</h3>
<p style="text-align:justify;">Quando as crianças não são apenas pequenos príncipes, quando se transformam, sem que para tal tenham necessidade de crescer, em reis que só olham para eles próprios, reinam sem partilha e impõem a violência aos que os cercam, e chegam ao ponto de se conduzirem como verdadeiros tiranos. Trata-se da manifestação (&#8230;) <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/as-criancas-tiranas/" target="_self">continuação</a></p>
<br />Na categoria adolescentes, comportamentos, desiquilíbrios, educação, pais-filhos, psicologia, violência  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/171/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=171&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Anorexia e bulimia</title>
		<link>http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/168/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 14:03:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Jacques-Antoine Malarewicz O Complexo do Principezinho Lisboa, Estrela Polar, 2007 (excertos adaptados) Anterior: A bulimia ou a fusão total: (&#8230;) O sintoma de Julie garantia, de alguma forma, a ausência de mudança e o seu peso transformara-se na metáfora concreta do fardo derivado do conjunto da situação familiar.   Anorexia e bulimia Um mesmo continuum [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=168&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Antoine Malarewicz<br />
<em>O Complexo do Principezinho</em><br />
Lisboa, Estrela Polar, 2007</p>
<p>(excertos adaptados)</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/a-bulimia-ou-a-fusao-total-julie-no-corpo-da-mae/" target="_blank">Anterior: A bulimia ou a fusão total:</a> (&#8230;) O sintoma de Julie garantia, de alguma forma, a ausência de mudança e o seu peso transformara-se na metáfora concreta do fardo derivado do conjunto da situação familiar.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<h3 style="text-align:center;">Anorexia e bulimia</h3>
<p style="text-align:justify;">Um mesmo continuum percorre o caminho que separa a aparente oposição entre anorexia e bulimia. Trata-se de duas manifestações extremas e opostas de uma mesma ambição: a de controlar o outro e, consequentemente, as relações com o outro. Como acabamos de ver, os meios para lá chegar são diferentes.</p>
<p style="text-align:justify;">A anoréctica aproxima-se da tentação mística para ordenar o mundo de acordo com o ascetismo da sua vida afectiva e sensorial. Dá a impressão que se encontra numa espécie de além, numa procura do impossível, sempre a caminhar para uma maior privação. Arrasta o outro para a vacuidade do seu desejo, dando a este outro a sensação de que a pode salvar do vazio, preenchendo-o com o seu amor. Mas a esperança de a poder ajudar é sempre defraudada. Ela ilustra perfeitamente o paradoxo de existir no apagamento e na ausência.</p>
<p style="text-align:justify;">A bulímica está na invasão e na plenitude da carne. Ela capta o outro como capta a comida. Sabe envolver, manipular, adoptar e ingerir. Com ela, a fusão é inevitável, já que a sua generosidade é manifesta, pode ser mãe para cada um. Mas por detrás desta mãe esconde-se o desejo pela própria mãe. O seu sacrifício está bem escondido, o que a leva a abandonar o seu corpo para se envolver no da mãe.</p>
<p style="text-align:justify;">Frequentemente, a adolescente percorre um caminho que se situa entre estas duas formas de exercício de poder. Por todas as razões que encontrámos nos exemplos clínicos, subsiste a necessidade de nos pormos no lugar dos pais, ou de um deles, com o objectivo de colocar uma certa estabilidade e lei na vida familiar.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando a adolescente fica esgotada com o controlo absoluto, deixa-se cair no relaxamento total. Mas os elos de dependência e de protecção mútua perduram, as preocupações dos pais são sempre vivazes. Seja na anorexia ou na bulimia, esta rapariga representa no seu corpo, nem que seja de forma metafórica, as trocas de prerrogativas entre adultos e adolescentes.</p>
<br />Na categoria adolescentes, agressão, comportamentos, desiquilíbrios, distúrbios alimentares, educação, família e valores, insegurança, pais-filhos, psicologia  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/168/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=168&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A bulimia ou a fusão total &#8211; Julie no corpo da mãe</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 13:54:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
				<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Jacques-Antoine Malarewicz O Complexo do Principezinho Lisboa, Estrela Polar, 2007 (excertos adaptados) Anterior: A anorexia ou o último controlo ( &#8230; )  Os mecanismos de protecção são, nestes casos, notáveis: os conflitos são sistematicamente evitados e qualquer intrusão é geralmente muito mal aceite. Não é um terapeuta que pode pretender dizer-lhes o que devem fazer e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=159&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Antoine Malarewicz<br />
<em>O Complexo do Principezinho</em><br />
Lisboa, Estrela Polar, 2007</p>
<p>(excertos adaptados)</p>
<p style="text-align:justify;">Anterior: <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/a-anorexia-ou-o-ultimo-controlo-aurelie/" target="_blank">A anorexia ou o último controlo ( &#8230; )  </a>Os mecanismos de protecção são, nestes casos, notáveis: os conflitos são sistematicamente evitados e qualquer intrusão é geralmente muito mal aceite. Não é um terapeuta que pode pretender dizer-lhes o que devem fazer e ainda menos permitir-se julgar o comportamento deles.</p>
<p align="center"><strong> </strong></p>
<p align="center"><strong>A bulimia ou a fusão total</strong></p>
<p align="center"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Com a bulimia e a obesidade, mudamos de registo. Já não se trata de um controlo absoluto e manifesto do corpo. Bem pelo contrário, é uma derrota total, uma demissão definitiva perante as múltiplas tentações que a abundância alimentar e o aumento do nível de vida permitem, o que conduz ao abandono de qualquer medida. Mas esta ausência de controlo pode apresentar algumas vantagens.</p>
<p style="text-align:justify;">Como acontece com a anorexia, a bulimia diz respeito a nove mulheres por um homem, ou seja, 2 por cento da população feminina, entre a qual 6 por cento são estudantes. Cerca de 70 por cento das mulheres que sofrem de bulimia têm um peso normal. Fala-se de obesidade quando o peso ultrapassa 20 por cento daquele que corresponde, normalmente, à estatura do indivíduo. Em França, 10 por cento das crianças sofrem de obesidade, percentagem que duplicou nos últimos quinze anos. A Europa conta com 30 por cento de obesos e os Estados Unidos da América com 60 por cento. A obesidade corresponde, em número de pessoas, à primeira doença não contagiosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Ritmo de vida, ausência de actividades físicas, desestruturação das refeições, e por via disso a da vida familiar, abundância de açúcares rápidos e de componentes gordurosas numa alimentação pronta a comer, tempo passado perante a televisão ou ecrã de televisão e, inclusive, as incitações fiscais sobre a taxa do IVA, todos estes elementos encorajam o «trincar» contínuo e a instalação de maus hábitos alimentares nas crianças e nos adolescentes.</p>
<p style="text-align:justify;">Provavelmente, mais do que a anorexia, factores genéticos predispõem a uma má gestão, através do metabolismo corporal, da massa gordurosa. Isso é claro em algumas famílias. O comportamento bulímico, que tem como consequência um aumento de peso importante, pode ser igualmente abordado sob o ângulo das relações intra-familiares.</p>
<p style="text-align:justify;">De facto, da mesma forma que a anorexia coloca a questão da sexualidade e das relações com os homens em geral, e com o pai em particular, a bulimia remete para a ligação materna e para a nostalgia de uma fusão regressiva. Uma espécie de corpo-a-corpo que «solda» a mãe e a criança numa bolha, na mesma bolha!</p>
<p style="text-align:justify;">Como em muitas relações humanas, esta fusão constitui-se numa cumplicidade escondida e tanto mais eficaz quanto é, geralmente, inconsciente. Cada um dos dois protagonistas tira vantagens de uma conciliação que se explica, também, tanto pela história familiar como pela história do casal ou, ainda, pela subtil alquimia que ocorre entre uma mãe e a sua filha.</p>
<p style="text-align:justify;">A ligação com a anorexia pode ser estabelecida no controlo relacional que permite a bulimia e de que a mãe é aqui o objecto. Ainda aqui a pobreza da vida conjugal dos pais abre portas a esta possibilidade. A mãe está «ocupada» com o seu filho e, mais frequentemente ainda, com a sua filha, na medida em que o pai está ausente da vida afectiva da esposa. De novo, o poder da criança é exercido de forma inesperada e indirecta. Neste caso, na promiscuidade corporal e na regressão alimentar.</p>
<p style="text-align:justify;">Na idade adulta, eventualmente para lá da adolescência, e apesar da distância geográfica, esta cumplicidade pode perdurar na repetição da mesma relação com os alimentos e com o corpo. Os alimentos tranquilizam e trazem instantaneamente o calor da saciedade e da satisfação rápida de uma necessidade fundamental. Comer e, sobretudo, «trincar», diminui e anestesia a angústia. A regressão é imediata e pode ser repetida e relançada incessantemente, tanto de dia como de noite.</p>
<p style="text-align:justify;">O corpo é receptáculo, dispõe-se a ter um único amor, o da mãe, que qualquer um sabe ser inesgotável. O acesso a uma sexualidade adulta já não é necessário. Este amor tem a reputação de ser difícil de encontrar e, sobretudo, de salvaguardar. As gorduras, a amplidão e a espessura do corpo são uma protecção eficaz que afasta e desvia o olhar do outro sexo. O cordão umbilical nunca é pois cortado, até na intimidade das fantasias. Que o amor materno tenha sido efectivamente enorme ou, ao contrário, inexistente, o resultado é o mesmo. Trata-se ou de o reencontrar ou, então, de o encontrar numa alimentação permanente.</p>
<p align="center"><strong> </strong></p>
<h3 style="text-align:center;">Julie no corpo da mãe</h3>
<p align="center"> </p>
<p style="text-align:justify;">Julie tem 15 anos. Vem acompanhada pelo irmão mais velho, Stéphane, com 18 anos, e pelos pais. É a sua importante obesidade que motivou o pedido de primeira consulta: pesa noventa e cinco quilos e tem um metro e sessenta de altura. De facto, a situação familiar é mais complexa do que aparenta.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">PAI (<em>que toma imediatamente a palavra</em>) — Quero precisar desde já que sou o padrasto, não sou o pai biológico de Julie e do seu irmão&#8230; As crianças tratam-me pelo meu nome, que é Pierre&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — Sim, é importante. O pai deles abandonou-nos por ocasião do nascimento de Julie, regressou inesperadamente a casa dos pais dele, situada a oitocentos quilómetros daqui&#8230; As crianças estão com ele duas ou três vezes por ano&#8230; nas férias… geralmente as coisas não se passam demasiado mal&#8230; ele tem outros dois filhos, que nunca vi, mas os meus conhecem-nos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — A senhora voltou a casar?</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — Não, não… mas de qualquer forma&#8230; também não estava casada da primeira vez&#8230; Pierre e eu vivemos em união de facto&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">O afastamento do pai biológico influenciou certamente as relações entre as crianças e o padrasto. Simbolicamente, o facto de esta mulher e este homem não serem casados fragiliza a sua ligação. Também não têm filhos em comum. Tudo isso gera o risco de deixar um lugar demasiado amplo à nostalgia de um passado que se mitifica à medida que o tempo passa.</p>
<p style="text-align:justify;">O comportamento não verbal de uns e outros faz com que eu pense que Pierre não deve ter sido facilmente adoptado, pelo menos pelas crianças e, talvez até pela própria mãe delas, apesar das aparências que pretendem dar. Este problema de obesidade oculta – ou manifesta – é mais lato e diz respeito a toda a família.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA (<em>dirigindo-se à mãe</em>) — Como vê as relações entre Stéphane, Julie e o seu companheiro?</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — Do meu ponto de vista, é uma boa parte do problema. Talvez não directamente o problema da Julie, mas o problema da família. De facto, as coisas passam-se menos mal entre Stéphane e Pierre e muito mal entre Julie e Pierre&#8230; Pode-se dizer que é a ignorância total&#8230; discuti frequentemente o assunto com o Pierre&#8230; mas há já tanto tempo que isso dura&#8230; estou bastante desencorajada&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — E entre os dois filhos?</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — Stéphane vive no seu mundo com os amigos&#8230; ficam entre rapazes, o que faz com que quase nada partilhe com a irmã&#8230; é necessário dizer que os três anos de diferença de idade entre os dois os separam cada vez mais&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">STÉPHANE — Seja como for, ela ainda brinca a maior parte do tempo com as bonecas e os ursos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">JULIE — E tu com o teu computador, o que não é melhor&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">PIERRE — De qualquer forma, penso que as coisas tendem a melhorar entre a Julie e eu&#8230; claro, não é espectacular, mas estão melhor&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — És o único que acredita nisso&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Os laços familiares parecem ordenar-se mais de acordo com um eixo vertical do que numa hierarquia pais-filhos. Cada um dos filhos está muito mais próximo de um dos pais do que do outro. É por isso que existem nesta família dois lados: de um lado, as mulheres, do outro, os homens. Julie encontra-se «naturalmente» muito mais próxima da mãe do que do padrasto.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — E o senhor, como analisa as relações entre os filhos e a mãe?</p>
<p style="text-align:justify;">PIERRE — De uma certa maneira, é quase o oposto. Direi que é quase «serviço mínimo» com Stéphane e&#8230; fusão total com a Julie&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — Estás a exagerar&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Fusão total? Que quer dizer com isso?</p>
<p style="text-align:justify;">PIERRE — Sim, é isso: fusão total&#8230; Vivemos juntos há quase quinze anos, já tive tempo suficiente para observar o que se passa entre as duas. Apetece-me dizer que entre as duas não existe espaço para uma agulha&#8230; Julie pensa com o cérebro da mãe e a mãe age através das reacções da filha&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">Esta imagem descreve perfeitamente o que pode ser este tipo de ligação. Não é necessariamente físico, mas desenvolve-se ainda mais intimamente na sinergia dos modos de pensar e dos comportamentos que ordenam o quotidiano. Essa ligação constitui-se em detrimento de outras ligações.</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Qual é o seu lugar?</p>
<p style="text-align:justify;">PIERRE — Em geral, na família?</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Sim, isso mesmo&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">PIERRE — Difícil&#8230; difícil de chegar depois da saída do pai das crianças… o que posso compreender&#8230; Ficaram muito ligados a ele, apesar da distância&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — E tu, Stéphane, como analisas as coisas?</p>
<p style="text-align:justify;">STÉPHANE — É como ele diz&#8230; De qualquer maneira, estou frequentemente fora de casa&#8230; com os amigos&#8230; não sei o que vim hoje aqui fazer&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Não estás preocupado com a Julie?</p>
<p style="text-align:justify;">STÉPHANE — É verdade que com o seu problema de peso&#8230; ela devia fazer dieta&#8230; quero dizer uma verdadeira dieta&#8230; que, por uma vez, respeite&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Estás então preocupado com ela?</p>
<p style="text-align:justify;">STÉPHANE — Sim&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;">A solidariedade entre irmão e irmã é bem ténue. A sua conivência resume-se à nostalgia daquilo que podia ter sido a vida deles com o pai biológico e ao ciúme que ambos sentem pelos dois outros filhos do pai. Tentei, sobretudo, aumentar essa conivência ao avistar-me com os dois durante uma dezena de sessões. Por razões diferentes, tanto Stéphane como a mãe foram muito reticentes. A mãe sentiu que corria o risco de um afastamento da filha, o irmão temia afastar-se dos amigos. Depois, reuni-me com os pais para os ajudar a construir novos projectos em comum, e também durante dez sessões.</p>
<p style="text-align:justify;">Este tipo de trabalho pode ser longo, porque se trata de desfazer tudo o que se refere ao passado antes de construir o que pode constituir o futuro. O sintoma de Julie garantia, de alguma forma, a ausência de mudança e o seu peso transformara-se na metáfora concreta do fardo derivado do conjunto da situação familiar.</p>
<p> </p>
<p align="center"><strong>Anorexia e bulimia</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Um mesmo <em>continuum</em> percorre o caminho que separa a aparente oposição entre anorexia e bulimia. Trata-se de (&#8230;) <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/168/" target="_self"> continução </a></p>
<br />Na categoria adolescentes, alimentação, comportamentos, dependência, desiquilíbrios, distúrbios alimentares, mudança, pais-filhos, psicologia  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/159/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=159&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A anorexia ou o último controlo &#8211; Aurélie</title>
		<link>http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/a-anorexia-ou-o-ultimo-controlo-aurelie/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 13:46:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jacques-Antoine Malarewicz O Complexo do Principezinho Lisboa, Estrela Polar, 2007 (excertos adaptados) Anterior: Bernard ou como saber parar o tempo : (&#8230;)  A angústia de Bernard era proporcional à ligeireza do pai. Os aniversários passaram a ser mais importantes para esta família. Consequentemente, ele procurou parar a marcha do tempo, tanto para o pai, como para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=155&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Antoine Malarewicz<br />
<em>O Complexo do Principezinho</em><br />
Lisboa, Estrela Polar, 2007</p>
<p>(excertos adaptados)</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/bernard-ou-como-saber-parar-o-tempo/" target="_blank">Anterior: Bernard ou como saber parar o tempo</a> : (&#8230;)  A angústia de Bernard era proporcional à ligeireza do pai. Os aniversários passaram a ser mais importantes para esta família. Consequentemente, ele procurou parar a marcha do tempo, tanto para o pai, como para ele próprio e para o irmão.</p>
<h3 style="text-align:center;">A anorexia ou o último controlo</h3>
<p style="text-align:justify;">A anorexia mental e as suas consequências no quadro familiar são emblemáticas da tomada do poder que determinados adolescentes são capazes de desenvolver nas suas famílias e da submissão que os adultos podem mostrar em relação a eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Trata-se de uma síndroma que atinge preferencialmente os adolescentes – em 90 por cento dos casos. Ela associa três tipos de sintomas. O primeiro é um emagrecimento importante, ocasionado por uma privação voluntária de comida, por vezes acompanhada de vómitos provocados, ou da toma de laxativos e diuréticos. A actividade física, às vezes intensa, acaba por acelerar o processo. Para ser levada a sério no quadro de uma anorexia, esta perca de peso deve, pelo menos, ser de 15 por cento em relação à norma. Revela-se em seguida uma amenorreia secundária, ou seja, ausência do período depois de a adolescente estar normalmente menstruada. Os equilíbrios hormonais são, pois, profundamente perturbados e as repercussões atingem o conjunto das funções metabólicas.</p>
<p style="text-align:justify;">Enfim, a ignorância obstinada da gravidade dos distúrbios físicos e psíquicos por parte dos interessados, e às vezes até da família, constitui uma verdadeira negação da realidade. Estas adolescentes escondem frequentemente a sua perca de peso debaixo da largura das suas roupas. Elas investem nos estudos, por vezes mais do que é razoável, sem no entanto atingir os resultados que o seu trabalho poderia permitir-lhes esperar.</p>
<p style="text-align:justify;">Pensou-se durante muito tempo que esta síndroma era a consequência de um desequilíbrio hormonal; estas adolescentes eram frequentemente tratadas por pediatras que sentiam, e ainda sentem, muitas dificuldades em guiá-las para um psicoterapeuta ou um psiquiatra.</p>
<p style="text-align:justify;">A anorexia mental sempre existiu, sob outros aspectos e denominações. Ela faz agora parte daquilo a que os médicos chamam distúrbios das condutas alimentares, que reagrupam igualmente a bulimia e a bulimia com vómitos. O número de casos diagnosticados aumenta sensivelmente e já vimos que esses distúrbios assumem um significado particular na nossa sociedade. É preciso igualmente ter em conta que os especialistas capazes de emitir estes diagnósticos e conduzir o tratamento são cada vez mais numerosos e que a oferta cria a procura.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos países ocidentais, a prevalência desta doença não está ligada a nenhum factor socioeconómico: todas as classes sociais são abrangidas. Os factores culturais, antes descritos, parecem determinantes. Assim, esta doença começa a aparecer nos países do Magreb com a ocidentalização da sociedade. A mortalidade é importante, considera-se geralmente que ela é de 10 por cento de casos em cada década.</p>
<p style="text-align:justify;">Por outras palavras, quando os distúrbios se estendem por duas décadas, a mortalidade é da ordem dos 20 por cento. Trata-se, pois, de uma doença grave e os riscos de cronicidade são importantes. Em dez, ela abrange nove raparigas e um rapaz e perturba, frequentemente durante muitos anos, a vida escolar e social do adolescente e do adulto, ao mesmo tempo que perturba as relações familiares.</p>
<h3 style="text-align:center;">Aurélie</h3>
<p style="text-align:justify;">Trata-se do primeiro encontro com Aurélie e a sua família. Depois de várias hospitalizações, os pais acabaram por se resignar a pedir ajuda fora do quadro de qualquer situação urgente. Até lá, o recurso à medicina só se fez no limite extremo do emagrecimento de Aurélie. De cada vez, parecia evidente que o problema se resolvia por si próprio com um aumento do peso, que não era fruto da pressão clínica realizada durante a hospitalização.</p>
<p style="text-align:justify;">Há três crianças nesta família. Aurélie é a mais velha, tem 17 anos e sofre, actualmente e de forma evidente, de um problema de anorexia mental. Tem duas irmãs mais novas, com 15 e 13 anos. Como acontece frequentemente, os pais sentem dificuldades em concordar no que toca a prioridades.</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA (dirigindo-se aos pais) — O que motivou o vosso pedido de consulta?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Pessoalmente, o que mais me preocupa é saber se a Aurélie vai poder reatar rapidamente os seus estudos… já se atrasou demasiado…</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE (virando-se para o marido) — Não creio que isso seja o mais importante&#8230; os estudos, isso virá depois. Para mim, tenho necessidade de receber conselhos do ponto de vista culinário, mais exactamente, tenho necessidade de saber se, de um ponto de vista clínico, um regime alimentar pode resolver este problema de peso&#8230; Tem de haver uma solução&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Tens razão&#8230; mas se ela retomasse os estudos, ela poderia de novo confiar nela&#8230; Tenho a certeza de que o problema da comida se vai resolver por si próprio… nessa altura&#8230; numa segunda fase. Que pensa disto, doutor?</p>
<p style="text-align:justify;">É difícil para estes pais saírem de uma definição «sintomática» do caso da filha. Considerar que se trata de um problema escolar ou alimentar equivale a ignorar a dimensão relacional do seu comportamento. Deve ser velha a discordância entre eles no que toca à importância relativa dos estudos e da comida. Utilizam constantemente o mesmo cenário perante as filhas e perante o psicoterapeuta. Concordam em&#8230; não concordarem, embora apenas nos limites muito estreitos que definem estas implicações secundárias em relação à situação no seu todo. Dão a sensação de poderem tomar decisões, embora sabendo muito bem que é Aurélie quem manipula todos.</p>
<p style="text-align:justify;">No final da consulta, uma outra foi marcada com toda a família, para três semanas mais tarde, a uma quarta-feira, ao princípio da noite. Todos se levantam e, quando aperto a mão à mãe para me despedir, Aurélie começa a falar de forma bastante dramática.</p>
<p style="text-align:justify;">AURÉLIE — Não é possível!</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — O que não é possível?</p>
<p style="text-align:justify;">AURÉLIE (dirigindo-se aos pais ao mesmo tempo e com um tom de bastante desprezo)</p>
<p style="text-align:justify;">— Enfim, apesar de&#8230; esqueceram-se? Será que vocês pensam um pouco?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Que queres dizer?</p>
<p style="text-align:justify;">AURÉLIE — …</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Responde!</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — Escuta, Aurélie, se tens algo a dizer, diz e já, não podemos ficar especados aqui indefinidamente, o doutor tem provavelmente uma outra consulta&#8230; despacha-te&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">AURÉLIE — …</p>
<p style="text-align:justify;">PAI (dirigindo-se à mãe) — Deixa-a, neste caso nem vale a pena insistir&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — Gostaria apenas que ela me explicasse o que quer dizer (mais calma) —, diz-me&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">AURÉLIE — Mas, enfim, não é possível, naquele dia, naquela noite&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE — E porquê?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Sim, porquê?</p>
<p style="text-align:justify;">AURÉLIE — …</p>
<p style="text-align:justify;">PAI (começando a enervar-se) — Então, explica-te!</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE (dirigindo-se ao pai) — Não lhe fales assim!</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Aurélie, não nos deixes assim&#8230; o que é que não é possível?</p>
<p style="text-align:justify;">AURÉLIE (excedida) — O restaurante!</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — O restaurante?!</p>
<p style="text-align:justify;">MÃE (em simultâneo) — Sim, tens razão… tinha-me esquecido (voltando-se para mim) — … É o nosso aniversário de casamento e nós há muito que fizemos uma reserva para essa noite. Aurélie tem toda a razão, é preciso encontrar uma outra data. Lamento!</p>
<p style="text-align:justify;">Os pais tinham-se esquecido, um e outro, que o dia da próxima consulta era igualmente o dia do seu aniversário de casamento e que há muito se tinham já comprometido para essa noite. Aurélie lembrou-se quando, logicamente, isso devia primeiramente dizer respeito aos pais. Mas, neste tipo de família, os laços conjugais passam frequentemente para segundo plano perante o elo pais-filhos, o que pode explicar esta «anomalia».</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar disso, ainda não tinha chegado ao fim das minhas surpresas. Com efeito, os pais tinham reservado uma mesa num restaurante, não somente para eles, o que era normal, mas também para uma terceira pessoa: Aurélie. Pareceu-lhes ser evidente que não a podiam deixar sozinha em casa, tendo em conta os problemas alimentares. Ela corria o risco de nada comer na ausência dos pais. Preferiram levá-la com eles, sem que isso parecesse afectá-los, dado os conhecidos problemas de Aurélie. Assumiam o risco, mais que provável, de ficar sem apetite perante a visão da filha a contemplar, no meio do seu prato, três rodelas de cenoura misturadas com dois salsifis. A festa seria cruel!</p>
<p style="text-align:justify;">Aurélie instalou-se, pois, solidamente, no centro de todas as preocupações familiares, até num momento simbólico da história do casal constituído pelos seus progenitores. As suas duas irmãs estão totalmente afastadas das preocupações dos pais. Elas não têm o direito de reivindicar seja o que for, e, como é óbvio, deixaram de existir.</p>
<p style="text-align:justify;">A irmã mais velha assumiu o poder; neste caso porque é, ao mesmo tempo, a única a lembrar-se do que é importante na vida familiar e, também, porque focaliza as preocupações dos pais como se fosse filha única. Os laços protectores de que beneficia são tão poderosos que os pais aceitam sacrificar-se por ela, abandonando qualquer intimidade e mesmo todo o prazer que poderiam ter em estar sós por ocasião do seu aniversário de casamento.</p>
<p style="text-align:justify;">Perante tal situação, é sempre preferível não mostrar espanto. É preciso compreender bem que tudo isso parece não apenas ser evidente para este tipo de famílias, como também necessário e útil. Elas são catalogadas de «engrenadas», o que significa que cada membro está estreitamente ligado ao outro como duas rodas dentadas, uma em contacto com a outra. Quando um elemento se mexe, os outros reagem imediatamente. Os mecanismos de protecção são, nestes casos, notáveis: os conflitos são sistematicamente evitados e qualquer intrusão é geralmente muito mal aceite. Não é um terapeuta que pode pretender dizer-lhes o que devem fazer e ainda menos permitir-se julgar o comportamento deles.</p>
<h3 style="text-align:center;">A bulimia ou a fusão total</h3>
<p>Com a bulimia e a obesidade, mudamos de registo. Já não se trata de um controlo absoluto e manifesto do corpo. Bem pelo contrário, <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/a-bulimia-ou-a-fusao-total-julie-no-corpo-da-mae/" target="_self">&#8230; (continua) </a></p>
<br />Na categoria adolescentes, alimentação, comportamentos, crescimento, desiquilíbrios, distúrbios alimentares, educação, insegurança, mudança, pais-filhos, psicologia  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/155/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=155&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bernard ou como saber parar o tempo</title>
		<link>http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/bernard-ou-como-saber-parar-o-tempo/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 13:42:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
				<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
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		<description><![CDATA[Jacques-Antoine Malarewicz O Complexo do Principezinho Lisboa, Estrela Polar, 2007 (excertos adaptados) Anterior: As crianças tiranas Bernard ou como saber parar o tempo Bernard tem 16 anos. É um rapaz alto, solidamente constituído e cujo peso se aproxima dos noventa quilos. Vem acompanhado do pai, que pediu a consulta. Os resultados escolares de Bernard inflectiram [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=153&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Antoine Malarewicz<br />
<em>O Complexo do Principezinho</em><br />
Lisboa, Estrela Polar, 2007</p>
<p>(excertos adaptados)</p>
<p><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/as-criancas-tiranas/" target="_blank">Anterior: As crianças tiranas</a></p>
<h3 style="text-align:center;">Bernard ou como saber parar o tempo</h3>
<p style="text-align:justify;">Bernard tem 16 anos. É um rapaz alto, solidamente constituído e cujo peso se aproxima dos noventa quilos. Vem acompanhado do pai, que pediu a consulta. Os resultados escolares de Bernard inflectiram sensivelmente nas últimas semanas e os pais são habitualmente mais sensíveis do que as mães a este tipo de problema.</p>
<p style="text-align:justify;">Os professores denunciam um comportamento pueril, assim como ausências cada vez mais numerosas. Coloca-se a questão de ter de repetir o ano, o que é inaceitável para o pai de Bernard, que sente isso como um fracasso pessoal.</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA (dirigindo-se ao pai) — O que o inquieta mais no Bernard?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Tudo! É como se não vivesse mais lá em casa, salvo com o irmãozinho… aproxima-se dele desde há algumas semanas&#8230; mas de qualquer forma têm oito anos de diferença e eu penso que isso é um pouco estranho&#8230; Para além do mais, os professores convocaram-nos, eles também estão preocupados porque os resultados são fracos&#8230; é possível que repita o ano…</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — E tu, Bernard, o que te inquieta?</p>
<p style="text-align:justify;">BERNARD — …</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Ora aí está, é sempre assim&#8230; nem responde quando lhe fazem uma pergunta&#8230; é o que lhe dizia&#8230; um verdadeiro túmulo… é assim desde há várias semanas&#8230; não se lhe consegue sacar nada&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA (dirigindo-se a Bernard) — Será que o teu pai pode explicar-me o que se passa?</p>
<p style="text-align:justify;">BERNARD — Não, não quero…</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Então, o que propões?</p>
<p style="text-align:justify;">BERNARD — …</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Desejas falar a sós comigo?</p>
<p style="text-align:justify;">BERNARD — Sim&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Bernard testa-me. Tem necessidade de saber – o que é totalmente legítimo – de que lado estou: do seu ou do lado do pai. Mas tenho que lhe mostrar que continuo dono do jogo e que ele não pode decidir tudo. Então, proponho-lhe um compromisso.</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Concordo, mas antes quero falar com o teu pai em privado&#8230; Podes deixar-nos sozinhos durante alguns instantes? (Bernard sai da sala depois de ter hesitado um pouco.)</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Tem alguma explicação?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Sim e&#8230; não. De facto, parece-me que ele tem&#8230; digamos&#8230; problemas desde há alguns meses&#8230; sobretudo depois do seu último aniversário, de ter completado dezasseis anos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Problemas?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Sim, tenho a impressão de que ele tem medo de tudo&#8230; não quer ver ninguém, nem os amigos mais próximos. Evita-os sistematicamente.</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Ele pode, sobretudo, ter medo de crescer!?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Pode explicar melhor?</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Medo ou não ter vontade…</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Mas mesmo que seja isso… Não há nenhuma razão… tem tudo o que necessita…</p>
<p style="text-align:justify;">É sempre difícil passar de uma explicação clínica, que o pai vem buscar, à compreensão relacional da atitude de Bernard. Tal não significa que não haja explicação clínica. Só que, enquanto terapeuta familiar, não posso contentar-me em receitar – eventualmente – um ou mais medicamentos. Durante esta consulta com o pai, tentei dar-lhe uma outra perspectiva das dificuldades do seu filho.</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Há coisas que possam perturbar o Bernard?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Não, não vejo quais&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Será que pode estar inquieto pelo senhor ou pela mãe?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Se a minha mulher estivesse aqui, diria provavelmente que Bernard foi muito afectado por um pequeno problema de saúde que eu tive há alguns meses.</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — Pequeno problema de saúde?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Um problema cardíaco… não muito grave, um pequeno alerta. Foi a primeira vez&#8230; No fundo, na minha família, o meu pai morreu de enfarte quando tinha quarenta e quatro anos, e o meu avô morreu da mesma causa quando tinha quarenta e sete. (Sorrindo e dando ares de estar descontraído&#8230;) — Já passei a idade!</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — E tem a impressão que a sua mulher está enganada?</p>
<p style="text-align:justify;">PAI — Não sei&#8230; e quanto a si?</p>
<p style="text-align:justify;">TERAPEUTA — As crianças sabem esconder frequentemente o que as inquieta&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Em seguida observei Bernard a sós, como ele desejava. Só que a maior parte do tempo ficou entrincheirado no seu silêncio e ficámos pelas banalidades. Não quis falar-lhe demasiado rapidamente das inquietações que ele podia ter em relação ao estado de saúde do pai e da ligação que podia ser feita com os seus problemas. Pareceu-me que cabia aos pais fazê-lo, sobretudo ao pai.</p>
<p style="text-align:justify;">Vi os pais várias vezes para os ajudar a falar de tudo isso, primeiro entre eles, em seguida com os dois filhos. A mãe estava muito angustiada, mas não ousava demonstrar ao marido a sua angústia, com medo de agravar o estado de saúde do coração do marido. Cada um refugiou-se nas suas próprias apreensões em relação ao futuro.</p>
<p style="text-align:justify;">A angústia de Bernard era proporcional à ligeireza do pai. Os aniversários passaram a ser mais importantes para esta família. Consequentemente, ele procurou parar a marcha do tempo, tanto para o pai, como para ele próprio e para o irmão.</p>
<h3 style="text-align:center;">A anorexia ou o último controlo</h3>
<p style="text-align:justify;">A anorexia mental e as suas consequências no quadro familiar são emblemáticas da tomada do poder que determinados adolescentes são capazes de desenvolver nas suas <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/a-anorexia-ou-o-ultimo-controlo-aurelie/" target="_self">(&#8230;) continua</a></p>
<br />Na categoria adolescentes, alertar, comportamentos, crescimento, dependência, desiquilíbrios, diálogo, pais-filhos, psicologia  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=153&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As crianças tiranas</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 13:39:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
				<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
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		<description><![CDATA[Jacques-Antoine Malarewicz O Complexo do Principezinho Lisboa, Estrela Polar, 2007 (excertos adaptados) Anterior: Confronto e mimetismo &#8211; Violência e impotência   As crianças tiranas Quando as crianças não são apenas pequenos príncipes, quando se transformam, sem que para tal tenham necessidade de crescer, em reis que só olham para eles próprios, reinam sem partilha e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=151&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jacques-Antoine Malarewicz<br />
<em>O Complexo do Principezinho</em><br />
Lisboa, Estrela Polar, 2007</p>
<p>(excertos adaptados)</p>
<p><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/confronto-e-mimetismo-violencia-e-impotencia/" target="_blank">Anterior: Confronto e mimetismo &#8211; Violência e impotência</a></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<h3 style="text-align:center;">As crianças tiranas</h3>
<p style="text-align:justify;">Quando as crianças não são apenas pequenos príncipes, quando se transformam, sem que para tal tenham necessidade de crescer, em reis que só olham para eles próprios, reinam sem partilha e impõem a violência aos que os cercam, e chegam ao ponto de se conduzirem como verdadeiros tiranos. Trata-se da manifestação mais espectacular da demissão de alguns adultos perante a sua progenitura.</p>
<p style="text-align:justify;">Se nos baseamos nas crianças que estão a cargo de algumas instituições, enumeram-se actualmente cerca de dezassete mil crianças tiranas em França e estes números têm tendência para crescer. Os pais, incapazes de impor limites aos filhos, são bem mais numerosos do que há algumas dezenas de anos, e, hoje em dia, ousam falar das suas dificuldades a profissionais, juízes, médicos ou polícias para lhes pedirem ajuda.</p>
<p style="text-align:justify;">As referidas crianças são tanto meninas como rapazes, oriundos de todas as classes da sociedade. Por vezes, quando se tornam autónomos e começam a falar, estas crianças injuriam os pais, desobedecem sistematicamente, manifestam por eles um grande desprezo e até chegam ao ponto de lhes bater e infligir feridas por vezes graves. Tudo isso para melhor impor os seus desejos e a sua lei, para rejeitar qualquer constrangimento e obter rapidamente tudo o que desejam. Este comportamento generaliza-se perante os outros irmãos e adultos. A escolaridade passa a ser frequentemente impossível e a vida familiar insuportável.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar da sua gravidade, estes distúrbios podem prolongar-se durante vários anos, tanta é a vergonha dos pais em reconhecer o seu fracasso e, por via disso, em partilhar o seu sofrimento. Progressivamente, a família retrai-se, cortam-se os laços com avós, tios e tias. Frequentemente, é a escola e a polícia, aos quais os pais não podem evitar de apelar, que conduzem os progenitores a pedir ajuda efectiva.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguns destes pais acabam por apresentar queixa contra o próprio filho, abandonam o domicílio familiar para se refugiarem em casa de amigos ou de um outro membro da família. Para estes adultos desamparados, parece não haver solução para o problema, já que as transgressões e as violências são sistemáticas, grosseiras e banalizadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Se nada é feito, estas crianças, quando adolescentes, mergulham rapidamente na delinquência e só têm como interlocutores a justiça e as paredes do hospital psiquiátrico. Vivem num mundo onde são juízes em causa própria; definem sozinhos, e como se fosse uma evidência, as regras do jogo e não concebem outra realidade que não seja a que determinam. O outro transforma-se imediatamente em ser hostil, rejeitam qualquer das regras inerentes à vida em comum. Colocam-se fora da sociedade ou à margem da normalidade psíquica.</p>
<p style="text-align:justify;">É quase sempre em casos de urgência que os pais consultam o psicoterapeuta. Estão, o que parece ser compreensível, sentem-se totalmente desamparados e não sabem explicar o que aconteceu para chegarem a tal situação. De facto, cada um é vítima neste tipo de situação.</p>
<p style="text-align:justify;">Em primeiro lugar, tais crianças sofrem de uma grande solidão. Porque, por definição, o tirano está sempre só. Elas foram apanhadas e mantêm-se, frequentemente desde a mais tenra idade, num círculo vicioso onde, perante a angústia que experimentam por não sentir nenhum limite ao seu comportamento, só podem responder por via de um aumento da violência. Este aumento atenua – por um período – a sua angústia, antes que ela seja novamente reactivada por uma nova ausência de limites.</p>
<p style="text-align:justify;">Para eles, qualquer limite é uma provocação ou uma ameaça, e a isso só sabem responder com uma nova provocação. Procuram constantemente afirmar e reafirmar uma força e um poder que só os angustia mais. Pensam poder ocultar a sua extrema fragilidade com a rudeza e a violência do seu comportamento.</p>
<p style="text-align:justify;">Estas crianças apercebem-se com frequência deste encadeamento, mas são incapazes de o denunciar ou abandonar, por causa do orgulho e omnipotência efectiva que lhes oferece essa profunda solidão. Confrontar-se com um adulto competente, ou seja, capaz de lhes fazer frente, é para elas um alívio, mesmo que se trate de uma experiência dolorosa, ao mesmo tempo temida e desejada. Elas põem constantemente em palco a omnipotência que é normal cada criança sentir e não se estruturam no confronto com a realidade a que o outro, ou seja, o adulto, a deve submeter e lhe deve impor.</p>
<p style="text-align:justify;">Os outros irmãos sofrem com a demissão dos pais: suportam muito mal a constante desqualificação do pai e da mãe. Sentem-se divididos: participar na disputa de poderes ou, por outro lado, socorrer os pais que sentem estar em perigo. Neste último caso, passam a ser vítimas do tirano, que sobre eles exerce a violência. Crescem com ausência de pontos de referência familiar e só encontram no meio escolar os limites inexistentes ou desrespeitados em casa. Irmão e irmãs vivem divididos entre os bons e os maus, ou a má. Isso desequilibra totalmente a família no seu todo, na medida em que qualquer hierarquia adultos-crianças desaparece, substituída por alianças, ditas verticais, entre o pai ou a mãe e alguns dos seus filhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Os pais ficam desamparados. Geralmente, tentaram tudo, desde a compreensão e a revolta à conciliação e à violência. Mas como encontram pela frente algo mais forte do que eles, abandonam a luta invadidos por um sentimento de impotência. Paradoxalmente, essa é a solução que lhes parece a mais razoável. Baixam os braços perante a própria violência que se habituaram a interiorizar, o que acentua a sensação de impotência.</p>
<p style="text-align:justify;">Este pai ou esta mãe, por vezes os dois, mostram, por vezes sem o saberem, uma fragilidade através da qual o futuro tirano se infiltra com força e determinação. Esta fragilidade pode corresponder a uma crise no seio do casal, ou à falta de confiança que cada um tem nele próprio, como pai e, de forma mais alargada, como indivíduo. Ora, a característica de qualquer criança é a de testar constantemente a solidez dos seus pais.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando sente que ela não é suficientemente sólida, terá tendência a protegê-lo ou a protegê-los ou assumirá o poder sobre estes adultos, antes de procurar alargar o seu poderio a outros territórios familiares. Ou esta fragilidade é evidente ou, então, esconde-se na infinita variedade do quotidiano. Ao longo do dia, qualquer progenitor sabe que vai ter que aceitar vários confrontos com a criança. Se esta criança é particularmente frágil, até por razões genéticas, a fragilidade do adulto entra em ressonância com a da criança, o que multiplica a sua angústia. Como já o dissemos, é com esta tomada de poder tirânico que a criança acalma a sua angústia.</p>
<p style="text-align:justify;">Estes adultos são as vítimas de uma sociedade que os ensinou a identificarem-se com as suas crianças e adolescentes, ao ponto de os temerem e de se submeteram aos seus menores desejos. Estes adultos já não sabem como ser pais, já não sabem afirmar-se e deixam-se arrastar pela impotência e renúncia.</p>
<p style="text-align:justify;">As crianças tiranas devem progressivamente aprender – e não apenas reaprender – o que é um limite, ou seja, a existência do outro. Elas descobrem a alteridade numa idade onde a questão já devia estar resolvida. Nesse sentido sofrem de uma imaturidade escondida sob a aparência de segurança que lhes é dada pela violência que exercem. Quanto aos pais, devem percorrer o longo caminho que os levará da impotência à competência. Habituaram-se a evitar qualquer confronto, temem ser humilhados e não estarem aptos a assumir a sua autoridade.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2009/06/18/bernard-ou-como-saber-parar-o-tempo/" target="_self"> Segue: Bernard, ou como fazer parar o tempo</a></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<br />Na categoria adolescentes, comportamentos, crescimento, desiquilíbrios, diálogo, educação, pais-filhos, psicologia  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/151/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=151&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Quando as violências nos atingem</title>
		<link>http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/20/quando-as-violencias-nos-atingem-2/</link>
		<comments>http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/20/quando-as-violencias-nos-atingem-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Sep 2008 13:09:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
				<category><![CDATA[abuso]]></category>
		<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
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		<description><![CDATA[Maryse Vaillant; Christine Laounénan Quand les violences vous touchent Paris, Éditions de la Martinière SA, 2004 Texto traduzido e adaptado  quando-as-violencias-nos-atingem PDF  Índice:  Quando as violências nos atingem A fuga ou a luta A violência das palavras: os insultos Violência familiar &#8211; violência psicológica Violência física Violências sexuais O que fazer quando sou vítima de uma violação? A repetição das violências sofridas não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=134&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Maryse Vaillant; Christine Laounénan<br />
<em>Quand les violences vous touchent</em><br />
Paris, Éditions de la Martinière SA, 2004<br />
Texto traduzido e adaptado</p>
<p> <a href="http://dialogodegeracoes.files.wordpress.com/2008/09/quando-as-violencias-nos-atingem.pdf">quando-as-violencias-nos-atingem</a> PDF</p>
<p> Índice: </p>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/quando-as-violencias-nos-atingem/"><span style="color:#2277dd;">Quando as violências nos atingem </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/64/"><span style="color:#2277dd;">A fuga ou a luta </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/a-violencia-das-palavras-os-insultos/"><span style="color:#2277dd;">A violência das palavras: os insultos </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-familiar-violencia-psicologica/"><span style="color:#2277dd;">Violência familiar &#8211; violência psicológica </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-fisica/"><span style="color:#2277dd;">Violência física </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencias-sexuais/"><span style="color:#2277dd;">Violências sexuais </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/o-que-fazer-quando-sou-vitima-de-uma-violacao/"><span style="color:#2277dd;">O que fazer quando sou vítima de uma violação? </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/a-repeticao-das-violencias-sofridas-nao-e-uma-fatalidade/"><span style="color:#2277dd;">A repetição das violências sofridas não é uma fatalidade </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-escolar-violencias-das-palavras-e-dos-golpes/"><span style="color:#2277dd;">Violência escolar: violências das palavras e dos golpes </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/outras-formas-de-perseguicao/"><span style="color:#2277dd;">Outras formas de perseguição / Conclusão </span></a></li>
<h3 style="text-align:center;">Quando as violências nos atingem</h3>
<p align="justify">A violência faz recuar o pensamento. Fecha os olhos e os espíritos, bloqueia as iniciativas, entrava a nossa liberdade. Antes de explodir e de semear o medo abertamente, cresce e corrompe na sombra. Faz parte da nossa vida íntima, dos lugares mais recônditos da nossa alma, e acompanha-nos ao longo de toda a nossa vida.</p>
<p align="justify">Na adolescência, as violências quotidianas são frequentes e vulgares. Tornar-se adolescente é uma aventura simultaneamente excitante e penosa, que transforma a nossa relação com os outros, e que abala seriamente a relação do adolescente com o seu corpo e com a sua alma. Muitos adolescentes vivem situações de tormento, que ocultam, e experimentam violências íntimas, das quais não conseguem falar. Para muitos deles, o caminho que medeia entre os problemas da puberdade e a maturidade está semeado de decepções amorosas, vexames escolares, separações parentais, solidão familiar e exclusão social.</p>
<p><strong>A violência na primeira pessoa</strong></p>
<p><em>Naquele dia, apressei-me, porque tinha marcado encontro com os meus amigos, a fim de passearmos pela floresta junto de nossas casas. Mal tive tempo para enfiar a mota no átrio do prédio, apareceram logo dois meliantes do meu bairro. Bateram-me com violência na cabeça e fugiram com a minha mochila.</em></p>
<p align="justify"><em>De repente, vi-me no chão, completamente atordoado. Estava de tal forma em choque que nem pensei em gritar, pedir socorro, ou correr atrás dos meus agressores. Senti lágrimas nos olhos, irreprimíveis. Sentia-me tão impotente face àquela violência súbita e imprevisível! Uma vez a estupefacção e o medo passados, senti a raiva invadir-me. Quem me dera poder esmagá-los ali mesmo…</em></p>
<p style="text-align:right;">Guilherme, 15 anos</p>
<p align="justify">Este acto de violência ocorreu com tal brutalidade que Guilherme foi apanhado desprevenido. Esta agressão, semelhante a um relâmpago num céu sereno, abalou-o tanto que o desestabilizou. Subjugado pelo medo, Guilherme tinha-se submetido aos seus agressores, deixando que levassem a sua mochila. Como poderia ele ter resistido, se se encontrava sozinho face a dois agressores?</p>
<p align="justify">Uma vez os ladrões fugidos, Guilherme pôde sentir a repercussão física do roubo por esticão: o coração palpitante, a respiração acelerada, o estômago contraído, as pernas sem forças. Sentiu uma necessidade súbita de voltar para casa, para o seu aconchego, de chorar. Estava em estado de choque, tinha sido vítima de uma situação stressante, sentia as consequências físicas e psíquicas da agressão de que acabava de ser alvo. Esta reacção foi tão mais violenta quanto a sua resposta ao ataque foi nula. Aliás, como poderia ele ter reagido? Todas as vítimas de agressões se perguntam mais tarde se não teriam podido fazer isto ou aquilo. Uma vez a estupefacção passada, a mente reage, fazendo um inventário de todas as reacções possíveis. Mas também pode acontecer que a vítima de uma agressão se encontre incapacitada de pensar, devido à violência do choque.</p>
<p align="justify">Se Guilherme tivesse respondido com violência, ter-se-ia desencadeado um luta. Com um pouco de sorte, tudo acabaria num nariz a sangrar, nalgumas roupas rasgadas. Este é o cenário preferido da pessoa que foi vítima de um ataque: lembrar-se dos golpes que poderia ter aplicado, para que o conflito ficasse resolvido ali mesmo, sem que ela fosse humilhada.</p>
<p align="justify">Muitos adultos estão em desacordo com esta hipótese de resposta, porque acham que uma luta põe raramente fim a um conflito. Depois de uma primeira rixa, os vencidos podem provocar uma outra, como represália, que conduzirá a uma nova agressão, e gera-se assim uma espiral de violência.</p>
<p align="justify">Mas o nosso cenário é outro: Guilherme está por terra, com o coração cheio de raiva contra os agressores, e está furioso consigo mesmo por não ter ripostado. A uma violência exterior junta-se uma interior. Guilherme acha-se um cobarde, um incapaz… Em suma, Guilherme sente-se culpado por ter sido vítima.</p>
<p><strong>O stress do agredido</strong></p>
<p align="justify">O termo “stress” foi criado nos anos 50 do século XX por um investigador canadiano, de origem húngara, chamado Hans Seyle. Seyle explicou pormenorizadamente as reacções das vítimas de agressões, que variam segundo a pessoa e a duração do stress: suores frios, fadiga, mal-estar, tensão muscular, palpitações cardíacas, problemas digestivos ou cutâneos, insónias, ansiedade, depressão.</p>
<p align="justify">Estas manifestações do organismo escapam ao nosso controlo e são comandadas a partir do cérebro, através de uma glândula que se chama hipotálamo, e que funciona com um verdadeiro computador, do qual parte a ordem de reacção ao stress. O organismo responde com um aumento da produção de certas hormonas, tais como o cortisol e a adrenalina, que permitem adaptarmo-nos à agressão e reagir em conformidade. Graças a estas hormonas, podemos preparar-nos fisicamente para ultrapassar um obstáculo. Se atravessarmos a rua no momento em que um carro está a passar, as hormonas do stress despertam em nós mecanismos reflexos, como se um reclamo luminoso assinalasse o perigo. Recuamos, saltamos para o passeio para evitar o acidente, e tentamos recuperar a respiração. Sentimos calor.</p>
<p align="justify">O stress, ou síndrome geral de adaptação, constitui um mecanismo de defesa. Estas reacções podem ser respostas positivas ou negativas aos acontecimentos da vida. O sucesso num exame ou o nascimento de uma irmãzinha podem ser factores de stress, tal como o são uma agressão, um insulto, ou o receio de chegar tarde a um encontro. A resposta biológica do organismo é a mesma e permite-nos reagir adequadamente ao acontecimento.</p>
<p align="justify">Contudo, estas respostas dependem de cada indivíduo. Com efeito, não é a acontecimento em si que é importante, mas a maneira com o vivemos e reagimos a ele. Quando estamos mais frágeis, temos uma menor capacidade de reacção à agressão, o mesmo acontecendo em relação a uma decepção, um desgosto, ou uma angústia. As mudanças são vividas de forma diferente: não vivemos da mesma maneira uma mudança imposta, uma mudança aceite, ou uma mudança desejada. Se os nossos pais decidem mudar de casa, temos de mudar de escola. A ideia de deixar os amigos e um ambiente que nos é familiar pode constituir um factor de stress. Em contrapartida, se desejarmos muito deixar a nossa escola e fazer amigos noutra cidade, a mudança de casa não nos contrariará de todo.</p>
<p align="justify">Quando se produz uma agressão, os sofrimentos do corpo e da mente variam de acordo com as pessoas. Algumas sentir-se-ão subjugadas pelo medo, enquanto que outras, mais combativas ou menos emotivas, defender-se-ão com unhas e dentes. Enquanto uns fogem e tentam esconder-se, outros atacam frontalmente ou esperam pela hora de se vingarem. O leque de reacções é vastíssimo.</p>
<p>segue: <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/64/"><span style="color:#2277dd;">A fuga ou a luta </span></a></p>
<br />Na categoria abuso, adolescentes, agressão, ajuda, alertar, bullying, comportamentos, coragem, crescimento, desiquilíbrios, educação, escola, insegurança, pedagogia, psicologia, respeito, sociedade, violência, violência familiar  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/134/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=134&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Outras formas de perseguição / Conclusão</title>
		<link>http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/outras-formas-de-perseguicao/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Sep 2008 16:22:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Anterior: Quando as violências nos atingem A fuga ou a luta A violência das palavras: os insultos Violência familiar &#8211; violência psicológica Violência física Violências sexuais O que fazer quando sou vítima de uma violação? A repetição das violências sofridas não é uma fatalidade Violência escolar: violências das palavras e dos golpes Outras formas de perseguição Um chantagista persegue a vítima para ter um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=90&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">Anterior:</p>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/quando-as-violencias-nos-atingem/"><span style="color:#2277dd;">Quando as violências nos atingem </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/64/"><span style="color:#2277dd;">A fuga ou a luta </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/a-violencia-das-palavras-os-insultos/"><span style="color:#2277dd;">A violência das palavras: os insultos </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-familiar-violencia-psicologica/"><span style="color:#2277dd;">Violência familiar &#8211; violência psicológica </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-fisica/"><span style="color:#2277dd;">Violência física </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencias-sexuais/"><span style="color:#2277dd;">Violências sexuais </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/o-que-fazer-quando-sou-vitima-de-uma-violacao/"><span style="color:#2277dd;">O que fazer quando sou vítima de uma violação? </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/a-repeticao-das-violencias-sofridas-nao-e-uma-fatalidade/"><span style="color:#2277dd;">A repetição das violências sofridas não é uma fatalidade </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-escolar-violencias-das-palavras-e-dos-golpes/"><span style="color:#2277dd;">Violência escolar: violências das palavras e dos golpes </span></a></li>
<h3 style="text-align:center;">Outras formas de perseguição</h3>
<p align="justify">Um chantagista persegue a vítima para ter um ascendente. Mas a chantagem não é a única forma de perseguir os outros até tornarmos a sua vida na escola insuportável. A perseguição é uma prática corrente nos estabelecimentos de ensino e consiste em arreliar, massacrar e brutalizar um aluno escolhido como bode expiatório.</p>
<p align="justify">A vítima ideal é o bom aluno que não se conseguiu fazer aceitar como colega, o jovem gago, o franzino, ou o obeso. Em suma, todas as pessoas que são diferentes. Na sequência de um estudo realizado em estabelecimentos de ensino na Escandinávia, um professor de Psicologia sueco constatou que os alunos mais novos e mais fracos são geralmente os mais expostos, e que os rapazes têm mais tendência para este tipo de comportamento, porque as suas relações são mais brutais e directas. As raparigas utilizam métodos de perseguição mais subtis: as maledicências, as calúnias, os rumores.</p>
<p align="justify">A vítima cala-se, porque sente-se culpada por não conseguir enfrentar o(s) seu(s) agressor(es). Completamente à mercê, acaba por achar que não vale nada, e sente-se envergonhada e estúpida. Paradoxalmente, acaba por dar razão aos agressores. Como não consegue responder com violência à violência, fica sozinha com o seu sofrimento. Durante mês e anos, este tipo de alunos pode estar completamente isolado.</p>
<p align="justify">Ao tratarem assim as suas vítimas, os jovens impelem os espectadores destas cenas a darem azo à sua própria agressividade. Mesmo que não participem, também não se opõem. Entre os espectadores passivos, quantos se vingam assim dos seus falhanços escolares e da sua raiva invejosa, por interposta pessoa? Ao saber de antemão que a vítima é um alvo fácil que não vai ousar ripostar, os outros não vêem qualquer problema em a molestar. É assim que um adolescente sozinho e perdido se pode tornar no alvo de todos.</p>
<p align="justify">Aparentemente, os agressores têm uma boa auto-imagem. Sentem-se cheios de importância e de prestígio, porque o grupo dos brincalhões está do seu lado. Podem exercer o seu domínio em liberdade. São jovens que não se contentam em atacar ou oprimir os outros alunos, já que são também frequentemente insolentes com os adultos. Se os repreendermos, arranjam facilmente desculpas e atiram a culpa para cima da vítima, ou dos outros colegas.</p>
<p align="justify">Por detrás destes actos gratuitos e maldosos, existe um intuito vingativo. Se os agressores se comportam desta maneira, é porque se sentem frágeis e fracos. Quando se afirma o poder sobre os outros, é porque duvidamos desse mesmo poder. Um aluno equilibrado não sente qualquer necessidade de martirizar os colegas.</p>
<p align="justify">Talvez o agressor não tenha recebido em casa indicações de como devia lidar com a sua agressividade. Talvez a sua agressividade fique impune e tenha, assim, tendência a aumentar. Talvez esteja habituado a ser maltratado e faça o mesmo. Como acontece em casos de chantagem, também em casos de perseguição há vítimas que chegam a suicidar-se. Felizmente, os casos são raros, mas suficientemente graves para que os tenhamos em conta.</p>
<h3>Conclusão</h3>
<p align="justify">Todos estes fenómenos de violência na escola não devem ser generalizados. Podem diminuir, se os alunos comunicarem com os professores e com a gestão com facilidade. No seu inquérito <em>A violência no meio escolar</em>, Éric Debarbieux constata que, em alguns bairros problemáticos, não existe violência na escola, porque alguns professores e algumas equipas educativas combatem o fenómeno de forma eficaz. São equipas coesas e dirigidas por alguém que é unanimemente apreciado pelos colegas e alunos. “Podemos assim verificar que o papel do estabelecimento de ensino é fulcral”, conclui o autor do estudo.</p>
<p align="justify">Podemos contribuir para que a nossa escola saia da lista dos estabelecimentos “em crise” e entre na categoria dos estabelecimentos “em progresso”. Para que isso aconteça, temos de nos mobilizar. Propor jornadas sobre a violência, sobre os direitos e deveres, sobre o respeito. Se apoiarmos um projecto, haverá sempre alguém para nos secundar. A violência decresce sempre que as pessoas dialogam e se esforçam em conjunto.</p>
<br />Na categoria educação  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/90/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=90&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Violência escolar: violências das palavras e dos golpes / chantagem</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Sep 2008 08:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>contadores.destorias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Índice: Quando as violências nos atingem A fuga ou a luta A violência das palavras: os insultos Violência familiar &#8211; violência psicológica Violência física Violências sexuais O que fazer quando sou vítima de uma violação? A repetição das violências sofridas não é uma fatalidade Os diferentes tipos de violência escolar: violências das palavras e dos golpes No ano passado, havia na minha turma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=87&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">Índice:</p>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/quando-as-violencias-nos-atingem/"><span style="color:#2277dd;">Quando as violências nos atingem </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/64/"><span style="color:#2277dd;">A fuga ou a luta </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/a-violencia-das-palavras-os-insultos/"><span style="color:#2277dd;">A violência das palavras: os insultos </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-familiar-violencia-psicologica/"><span style="color:#2277dd;">Violência familiar &#8211; violência psicológica </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencia-fisica/"><span style="color:#2277dd;">Violência física </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/violencias-sexuais/"><span style="color:#2277dd;">Violências sexuais </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/o-que-fazer-quando-sou-vitima-de-uma-violacao/"><span style="color:#2277dd;">O que fazer quando sou vítima de uma violação? </span></a></li>
<li><a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/a-repeticao-das-violencias-sofridas-nao-e-uma-fatalidade/"><span style="color:#2277dd;">A repetição das violências sofridas não é uma fatalidade </span></a></li>
<p><strong>Os diferentes tipos de violência escolar: violências das palavras e dos golpes</strong></p>
<p align="justify"><em>No ano passado, havia na minha turma um rapaz pobre. Todos os alunos da turma o maltratavam, incluindo eu. Todos troçavam dele e punham-lhe as alcunhas mais maldosas. Juntava-me aos outros, porque não queria que me fizessem o mesmo.</em></p>
<p style="text-align:right;">Jaime, 17 anos</p>
<p align="justify">A escola não é o único lugar onde as violências se desenrolam. Mas, mesmo que o nosso quotidiano não seja marcado por questões graves, podem existir tensões (insultos, rixas, humilhações, discussões) ou agressões disfarçadas (chantagem, estragos de material), que não devemos descurar.</p>
<p align="justify">Como acontece com outros tipos de vida em comunidade, a escola obriga-nos a conviver com pessoas que não escolheríamos necessariamente como amigos. As tensões que daí advêm traduzem-se por insultos ou por rixas. Dar uma sapatada em alguém por brincadeira, para explicar um ponto de vista ou para mostrar quem manda, apalpar o traseiro a uma rapariga para a fazer corar, são práticas correntes nas escolas. Quem não se diverte com estes gestos considerados inofensivos, tanto mais que fazem rir toda a gente?</p>
<p align="justify">É um facto que estes actos violentos não deixam marcas nem cicatrizes físicas, mas fazem a vítima sofrer. A pessoa sente-se humilhada, ferida. O mesmo acontece com as palavras. Quando nos chamam “palhaço” ou “escarro”, sentimo-nos extremamente rebaixados.</p>
<p align="justify">A violência é subjectiva. Se alguns de nós se defendem com golpes, cuspidelas ou insultos, outros calam-se e isolam-se. Por vezes, o derrotado só concebe uma forma de restabelecer os seus direitos: a vingança. Contudo, a vingança é inútil e perigosa. Se fomos alvo de violência, o mais importante é recusarmo-nos a ser vítimas. É preciso mostrar que não aceitamos ser tratados dessa maneira e arranjar ajuda.</p>
<p align="justify">Não devemos hesitar em confiar num adulto da escola ou num outro colega. Em alguns estabelecimentos de ensino, existem alunos que receberam formação para actuar como mediadores em caso de conflitos. O seu papel não consiste em censurar ou castigar, mas em pacificar os espíritos e criar uma atmosfera de verdadeira entreajuda e solidariedade.</p>
<p><strong>A chantagem: quebrar a lei do silêncio</strong></p>
<p align="justify">“Ou me dás o teu blusão ou estás tramado!”, “ Passa para cá o teu exercício de Matemática ou dou uma sova no teu irmão!”, “Empresta-me cem euros!” são exemplos de chantagem. A chantagem é um exemplo de violência que os poderes públicos já denunciam neste momento, mesmo que as suas vítimas sejam uma minoria de alunos.</p>
<p align="justify">Quando somos vítimas de chantagem, sofremos imenso sempre que temos de dar ao agressor uma caneta, um Walkman, jogos de vídeo, até mesmo dinheiro, não vá ele bater-nos. O chantagista impõe a sua lei aos mais novos e mais tímidos. Nem sequer precisa de ser violento para alcançar os seus intuitos. Basta que nos intimide, que nos meta medo, e que não cesse de pressionar. É assim que alguns de nós começam por dar a caneta e acabam a vasculhar o porta-moedas dos pais para satisfazer as necessidades cada vez maiores do agressor. Este sabe que nos tem à sua mercê, graças ao nosso silêncio.</p>
<p align="justify">Com efeito, por medo da reacção dos adultos, das represálias do agressor, ou por receio de que a situação piore, a maior parte das vezes calamo-nos, o que só aumenta o nosso medo e o nosso isolamento. Também temos medo de sermos considerados “delatores” pelos outros alunos.</p>
<p align="justify">E a lei do silêncio instala-se aos poucos, o que só beneficia o agressor. Algumas chantagens duram semanas, meses, até mesmo anos, e podem ultrapassar os muros da escola. A chantagem é uma violência vivida na maior solidão, e pode levar-nos a faltar a certas aulas, a deixar de ir à escola, e até a roubar.</p>
<p align="justify">Há casos, felizmente raros, em que a vitima é levada a suicidar-se, a única forma de fugir à tortura diária que o chantagista lhe inflige. O medo dá lugar ao terror e isso provoca um desequilíbrio profundo. A vítima pensa que não existe ninguém que possa ajudá-la a sair daquele tormento. O cobarde não é a pessoa que dá o seu blusão ou o maço de cigarros, mas o agressor que se rodeia de escroques para atacar os que são mais fracos do que ele.</p>
<p align="justify">Se formos vítimas de chantagem, não é por cedermos à vontade do agressor que nos desembaraçamos dele, muito pelo contrário! Também não devemos tentar defender-nos sozinhos, porque os agressores podem tornar-se violentos. A primeira coisa a fazer é falar do problema para parar a engrenagem na qual estamos metidos. Os nossos colegas podem compreender-nos e ajudar-nos. Se lhes acontecesse o mesmo, eles mesmos ficariam aliviados por poderem contar connosco.</p>
<p align="justify">Ao pedir ajuda, ao quebrar a lei do silêncio, damos provas de coragem. Temos de dizer aos nossos pais que não estamos bem, que precisamos da ajuda deles. Também podemos ir falar com um responsável na escola.</p>
<p align="justify">Segue: <a href="http://dialogodegeracoes.wordpress.com/2008/09/19/outras-formas-de-perseguicao/"><span style="color:#2277dd;">Outras formas de perseguição / Conclusão </span></a></p>
<br />Na categoria abuso, adolescentes, agressão, alertar, bullying, comportamentos, crianças, desiquilíbrios, diálogo, educação, escola, insegurança, pedagogia, prevenção, psicologia, respeito, tolerância, violência  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dialogodegeracoes.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dialogodegeracoes.wordpress.com&amp;blog=2052344&amp;post=87&amp;subd=dialogodegeracoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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